quinta-feira, 29 de abril de 2010

ATIVIDADE - GRUPO "O GUARANI"



O GUARANI: Uma descrição do índio brasileiro

______________________________________________________________________
Liliana Keully, Ivanilde Lopes, Keyce Raphaela, Paulo Ricardo, Andrea Sousa


No século XVI a maioria das obras escritas no Brasil não foi feita por brasileiros, mas sobre o Brasil por visitantes, chamada Literatura de Informação. Esta se destinava a descrever e revelar as idéias que os portugueses tinham em relação à “terra nova”, sua flora, fauna e sua gente. Através dessa literatura se tem ideia do assombro europeu diante de um mundo tropical e totalmente exótico.
Através informações mais precisas sobre os grupos tribais que habitavam o Brasil à época do descobrimento, chamados genericamente tupinambás, e sobre as primeiras iniciativas colonizadoras dizem respeito às terras litorâneas, onde primeiro se fixou o europeu.
Aos poucos vão se conhecendo, sobretudo outras "castas de gentio". Pelo fim do século, Gabriel Soares de Souza fornece inventários complexos destas outras etnias. Este denuncia assim a inaudita selvageria dos Aimorés de Porto Seguro e de Ilhéus: "São estes aimorés tão selvagens que, dos outros bárbaros são havidos por mais que bárbaros' (G.S.de Sousa 1971(1587): 79). Ainda faz inferência a eles como traiçoeiros e que não enfrentam os inimigos em campo aberto, senão lhes armam ciladas. Comem sua caça crua ou mal assada, omofagia que prenuncia o que constitui o paroxismo da selvageria, sua antropofagia alimentar. Distingue-se assim um canibalismo de vingança - o dos Tupi - e um canibalismo alimentar, dos bárbaros Aimorés, dos Oitacás, e alguns mais.
Anos mais tarde, José de Alencar ainda se recorda da emoção que foi a descoberta dos autores no século XVI, que nos dão as primeiras impressões dos europeus ao encontrarem a natureza e o índio do Brasil, em cujas páginas já procurava um tema para desenvolver em sua própria literatura. Traçando um paralelo a Gabriel de Sousa Soares, notamos em Alencar um tratamento de exaltação extrema, para valorizar a terra - numa defesa da tese nacionalista de valorização do homem e da terra pátria. As suas descrições da natureza são infindas, sempre ressaltando a riqueza da fauna e da flora principalmente.
O Guarani, portanto é a sua obra prima, pois nos dá uma ideia histórica e poética dos primeiros passos do nosso imenso Brasil. Esta nos leva para um enredado de emoções envolvendo os indígenas, a família de colonizadores portugueses e a vida inicial na colônia lusa. Como observa o mesmo em suas notas, o próprio título da obra significa "o indígena brasileiro”.
Geralmente não é difícil a caracterização das personagens românticas, pois estas apresentam sempre as mesmas características. Em O Guarani, portanto, realçam-se como personagens mais importantes:
1) PERI: entranha-se bem as qualidades que o autor lhe confere como símbolo da terra e da pátria brasileira: é corajoso, bravo, impetuoso, leal e nobre. Peri é, pois, um selvagem idealizado, dono de qualidades que fariam inveja aos mais nobres e leais fidalgos medievais.
2) CECÍLIA: é o padrão da beleza romântica. Bela, pura, inocente, virgem, essa menina e dona de qualidades morais dignas de uma heroína romântica. Embora, tenha se revelado mesquinha e ingrata com Peri no início, desprezando-o e magoando-o. É daí que surge o apelido "Ceci", a que magoa como lhe chamou o índio.
3) D. ANTONIO DE MARIZ: é o modelo do fidalgo medieval, colocando acima de tudo a lealdade, a honra, a dignidade e a nobreza.
4) LOREDANO: é o vilão da história, representando bem o antagonista. Sua participação no livro é das mais importantes: se não fosse ele, muitas das ações nobres e dignas do protagonista não seriam realçadas.
5) ÁLVARO: é outro que tem traços de herói romântico: corajoso, leal e digno são adjetivos que lhe ficam bem. Embora não tivesse tido muita oportunidade de demonstrar suas qualidades, provou a sua coragem ao libertar Peri das garras dos aimorés.
6) ISABEL: representa bem a beleza e a sensualidade da mulher brasileira.
As outras personagens que sobressaem são: D. LAURIANA, esposa de D. Antônio; seu filho, D. DIOGO, responsável pela morte da índia que provocou a vingança dos aimorés; e seu escudeiro, AIRES GOMES, que empresta um pouco de comicidade à narrativa. Destacam-se ainda OS AIMORÉS que, como Loredano, assumem também a função de antagonista.

REFERÊNCIAS

ALENCAR, José de. O GUARANI: Martim Claret.
SOARES, Gabriel de Sousa. O TRATADO DESCRITIVO DO BRASIL. 1587
BOSI, Alfredo. HISTÓRIA CONCISA DA LITERATURA BRASILEIRA. 37 ed. São Paulo: Cultrix, 2000.
MOISÉS, Massud. HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA: das origens ao romantismo. 6º Ed. Cultrix, 2001.

Um comentário:

  1. O trabalho não apresenta uma conclusão acerca das duas obras, bem como está um pouco confuso.

    ResponderExcluir