quarta-feira, 28 de abril de 2010

Trabalho - Ubirajara

CENTRO DE ENSINO ATENAS MARANHENSE – CEAMA
FACULDADE ATENAS MARANHNSE – FAMA
GRADUAÇÃO EM LETRAS PORTUGUÊS
DISCIPLINA: ESTUDO DA PROSA EM LÍNGUA PORTUGUESA
PROF.: MARIA ENEIDA
SEMESTRE/ANO: 1°/2010

UBIRAJARA: Do indivíduo ingênuo ao herói brasileiro


Adriana Clara, Cleidiane Nunes, Daniela Sá, Gilson Araujo, Maressa Isvy, Nébia Furtado e Yargo Carvalho ¹


Traçando um paralelo entre a “Narrativa Epistolar” de Fernão Cardim, e o Ubirajara de José de Alencar, percebemos seus personagens edênicos, porém tratados de maneiras diferentes. Em Fernão Cardim (1847) encontramos a objetividade dos fatos, em que o autor procura descrever com clareza as características do índio, retratando seus costumes, crenças e até mesmo a ingenuidade do nativo como ele próprio afirma “(...) parece que estão no estado de inocência nesta parte, pela grande honestidade e modéstia que entre si guardão (...)”. Enquanto em “Ubirajara” percebemos a subjetividade dos acontecimentos, em que o índio é tido como um “grande guerreiro”, o nativo sempre é visto de forma valorizada, no qual José de Alencar busca definir a identidade nacional.
Tais considerações podem ser melhor compreendidas na caracterização de dois períodos literários que compreendem cada obra :
O Período Quinhentista foi a primeira manifestação literária do Brasil, que se caracterizava por suas tendências: Literatura Informativa e Literatura dos Jesuítas. Aqui nos deteremos a Literatura Informativa de Fernão Cardim, que se enquadra em gênero propagandístico da colônia portuguesa a fim de descrever os bons ares do Brasil e da gente do Brasil, que segundo Moisés (2001, p.54) “Lendo-o, tem-se a impressão de estar recebendo as primeiras sensações desencadeadas pela terra nova numa psicologia ainda plástica e imune a maiores preconceitos.” Pois antes de Cardim outros jesuítas descreveram a paisagem do Brasil, mas sempre falando da selvageria do índio, enquanto Cardim trata da candura e da pureza de cada um. No dizer de Bosi (2000, p.13) a literatura informativa tem validade também “para sugestões temáticas e formais”, temas estes que serão muito bem explorados por José de Alencar suas obras.
O Romantismo é caracterizado pela liberdade de criação, sendo dividido em três gerações. A obra Ubirajara fica pertencente à primeira geração romântica, pois possui expressamente as características nacionalistas ou indianistas desse período. A primeira geração romântica nasceu da necessidade de caracterizar o Brasil como Brasil, para Bosi (2002) esta fase significou o rompimento do critério formal clássico para a constituição de caracteres próprios da sociedade brasileira. No entanto Alencar, ainda nos remete aos ideais clássicos por meio de sua narrativa de cunho heróico.
José de Alencar valoriza o mundo selvagem, que segundo Bosi: “O Brasil ideal de Alencar seria uma espécie de cenário selvagem (2000, p.138). Visto que, Alencar aborda as características do índio considerando-o em seu estado mais puro.
Ubirajara retrata a história de um guerreiro chamado Jaguarê, e sua busca por ser reconhecido como tal, passando a ser chamado de Ubirajara. Que em certos tempos se apaixona por Araci, filha do chefe de uma tribo rival, tenta disputá-la como esposa, porém só consegue essa vitória no momento em realiza um feito heróico que une as duas tribos. A obra Ubirajara é narrada em terceira pessoa tendo um narrador onisciente. Está situada em um espaço conhecido como pré-cabraliano, o qual o homem branco ainda não pôde tocar, tanto que é possível perceber a relação intrínseca entre a natureza e os índios, em que demonstram profundo conhecimento e equilíbrio com o ambiente. O personagem é um selvagem, por viver em tal cenário: “Pela margem do grande rio caminha Jaguarê, o jovem caçador. (p. 1140)”, percebe-se que a narrativa se passa em meio à floresta brasileira e que são esses elementos naturais que formam o protagonista Jaguarê.
Os principais personagens desse romance são:
Ubirajara: conhecido anteriormente como Jaguarê, é o herói do romance, que se torna “senhor da lança”, tendo como principal característica a sua incessante busca por ser um verdadeiro guerreiro.
 Jandira: Virgem prometida como esposa de Ubirajara, que fica inconformada com sua rejeição, tentando matar Araci que era a verdadeira paixão de Ubirajara.
 Araci: é a filha do chefe da tribo rival, que encanta Ubirajara.
Pojucan: Irmão de Araci, que luta com Jaguarê.
Itaquê: é o pai de Araci, um chefe de princípios.
Jacamim: mãe de Araci e Pojucan.
Camacã: pai de Ubirajara, chefe da tribo, que logo depois passa o cargo ao filho.
Canicran: chefe dos tapuias;
 Pahã: É o filho mais novo de Canicran, inconformado com a morte do pai procura se vingar cegando Itaquê a flechadas.

José de Alencar consegue por meio de sua obra valorizar a imagem indígena, que antes fora difamada por alguns autores, assim tenta resgatar, ou melhor, definir a cara do Brasil através da caracterização do seu povo nativo.

REFERÊNCIAS

ALENCAR, José de. UBIRAJARA. Rio de Janeiro: Garnier, 1926.
BOSI, Alfredo. HISTÓRIA CONCISA DA LITERATURA BRASILEIRA. 37 ed. São Paulo: Cultrix, 2000.
CARDIM, Fernão. NARRATIVA EPISTOLAR DE UMA VIAGEM E MISSÃO JESUÍTICA. Lisboa, 1847.
MOISÉS, Massud. HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA: das origens ao romantismo. 6º Ed. Cultrix, 2001.

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